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BRASIL 2003: A ELETRICIDADE
Eng. Luiz Oswaldo Norris Aranha
A eletricidade é
vetor de transformação de fontes primárias
de energia, para disponibiliza-las no modo mais conveniente
para o público. Seu uso, para o movimento de aparelhos,
de grande e pequeno porte, é plenamente vantajoso
e, no Mundo atual, esse processo domina nas indústrias
(motores e compressores) e nas residências (eletrodomésticos).
No Brasil, onde a principal fonte de energia elétrica
é competitiva, releva-se sua utilização
que poderá chegar aos veículos elétricos
ou aos movidos pelas células combustíveis,
pois o hidrogênio é normalmente produzido através
da corrente elétrica. O abastecimento dos domicílios
nacionais é acima de 90% e a desejada universalização
vem caminhando a passos largos. |
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Existe grande vantagem competitiva para o Brasil,
no que tange à energia, quando se fala em hidreletricidade.
Praticamente não há, no resto do Mundo, potencial
da grandeza do brasileiro, a custos relativamente baixos, usando
matéria prima nacional e renovável. No entanto,
não se têm obtido todas as vantagens que se poderia
e recentemente passou-se por agudo racionamento. As tarifas, pela
incorporação de diversos tributos, mais que dobram
os custos originais. Para que se retire todo o proveito que esse
segmento oferece, é necessário que o governo regule
mais adequadamente o setor, dando-lhe condições
realmente objetivas para atuar economicamente, o que permitiria
o uso intensivo por toda a população.
O consumo de eletricidade, no Brasil, cotejado com a renda per
capita, é dos mais baixos para o setor residencial, em
comparação com os demais países do Mundo.
Observam-se a rigor três grupamentos distintos. O primeiro
constitui-se das Nações ricas ou daquelas em que
predomina a hidreletricidade, como o Canadá e a Noruega,
onde a taxa de consumo residencial per capita chega a ser dez
vezes maior do que a brasileira. No fundo do poço, os subdesenvolvidos,
com o Brasil aproximadamente no meio, abaixo, por exemplo, da
Argentina. No miolo da curva, os poucos representantes são
aqueles que realmente caminham para o Desenvolvimento, como Portugal,
atualmente beneficiado pela Comunidade Européia.
Porque o consumo per capita no Brasil é tão baixo?
Há duas razões. A primeira decorre da renda per
capita que é reduzida e mal distribuída. A segunda
deriva das tarifas elevadas, insufladas por tributos estratosféricos.
A maior disponibilização de eletricidade, ao povo,
levaria à aquisição de eletrodomésticos,
produzidos no País, gerando crescimento econômico,
elevando os níveis de emprego e de salário e induzindo
o processo desenvolvimentista. Quando se visualiza o consumo industrial,
a situação é algo diferente, pois a maioria
dos impostos, que incidem sobre o preço da eletricidade,
são compensados na venda dos produtos, havendo portanto
prática imunidade quanto aos ônus que provocam, mantendo-se
a competitividade.
As usinas hidrelétricas enfrentam obstáculos para
o licenciamento ambiental, o que não deixa de ser curioso,
pois é mais fácil instalar-se pequena unidade com
grupos diesel, altamente poluente. Além disto, o prazo
para a sua construção é longo e os investidores
estrangeiros são impacientes, preferindo termelétricas
de maturação mais rápida e menor custo inicial
de instalação. Como estas últimas usam combustível
importado, não renovável, com seus equipamentos
também trazidos do exterior, cabe ao governo encontrar
formas inteligentes para vencer o impasse. Se houver impulso inicial,
até a instalação do canteiro de obras, viabilizar-se-á
a captação de recursos externos, face à economicidade
das geradoras hídricas.
Para 2003 e horizonte de médio prazo, a hidreletricidade
deverá retomar seu curso no Brasil, precisando apenas desse
empurrão, por parte do Poder Público. Outras fontes
termelétricas, como o gás natural, devem ser limitadas,
atuando complementarmente ou atendendo a regiões isoladas,
diante do maior custo e da pressão sobre o Balanço
de Pagamentos. O carvão poderá ser utilizado no
sul do País e a Usina de Angra 3, de nucleoeletricidade,
deverá ser concluída. A aquisição
de energia elétrica, gerada através do bagaço
de cana e da produção eólica, poderá
crescer, se houver regulamentação adequada, dando
aos produtores garantia de comercialização. Em suma,
é promissor o futuro da eletricidade no período
em pauta.
abee
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